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Série Estudo Bíblico Online: Atos 10: Não Chame de Impuro o Que Deus Purificou
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Atos 10: Não Chame de Impuro o Que Deus Purificou

Deus abre a porta do Evangelho para o resto do mundo colocando frente a frente dois homens que, pelas regras da época, jamais deveriam se sentar à mesma mesa. E o capítulo não converte só Cornélio — converte o olhar de Pedro.

Pastor Márcio Gonçalves 10 de setembro de 2026
Atos 10:15

Há capítulos na Bíblia que contam um episódio. E há capítulos que mudam a rota da história.

Atos 10 é do segundo tipo.

Aqui a porta do Evangelho se abre para os gentios — para todo o resto do mundo, para você e para mim. E Deus faz isso de um jeito que ninguém teria planejado: colocando frente a frente dois homens que, pelas regras da época, jamais deveriam se sentar à mesma mesa.


"Não chame impuro ao que Deus purificou." — Atos 10:15


Onde estamos: a linha que vem desde Atos 1

Antes de entrar no capítulo, vale lembrar de onde viemos. Existe uma progressão em Atos, e ela não é acidental.

No capítulo 1, o povo de Deus recebe o Espírito Santo. E é importante lembrar para quê:

"Vocês receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra." — Atos 1:8

O Espírito Santo foi dado para tornar as pessoas testemunhas. Vale sublinhar isso, porque em muito do meio pentecostal de hoje se criou a ideia de que o Espírito Santo serve para produzir manifestação — quando o propósito declarado no texto é fazer de você uma testemunha de Jesus.

E foi exatamente isso que aconteceu. Acompanhe o mapa:

  • Jerusalém — a igreja nasce e cresce
  • Judeia e Samaria — a perseguição espalha os cristãos, e Filipe prega aos samaritanos e ao eunuco etíope em Atos 8
  • Atos 9 — Saulo é convertido, e Deus declara que ele será instrumento para levar o nome de Jesus aos gentios
  • Atos 10 — a porta se abre de fato

Repare que Deus anuncia em Atos 9 e executa em Atos 10. A conversão de Saulo prepara o mensageiro; a casa de Cornélio abre o campo.


Dois homens que nunca deveriam se encontrar

Para abrir essa porta, Deus escolhe duas pessoas completamente diferentes.

Cornélio é gentio. Centurião do regimento italiano, um oficial romano — o posto de centurião comandava por volta de cem soldados. Homem de patente, de influência, e representante do império que ocupava Israel.

Pedro é judeu. Apóstolo de Jesus, uma das principais lideranças de Jerusalém, cheio do Espírito Santo, com um ministério em pleno funcionamento.

Entre os dois existe uma barreira cultural e religiosa que é difícil de dimensionar hoje. E sem entender o tamanho dela, o capítulo perde a força. O próprio Pedro vai colocá-la em palavras mais adiante, no versículo 28:

"Vocês sabem muito bem que é contra a nossa lei um judeu associar-se a um gentio ou mesmo visitá-lo."

Não era antipatia. Não era preconceito informal. Havia norma ali — como uma das participantes do estudo observou com precisão: mais do que costume, existia uma lei impedindo a aproximação.

É por isso que Atos 10 é profundo e impactante. E é por isso que este capítulo não trata apenas da conversão de Cornélio.

Trata também da conversão do olhar de Pedro.


Antes de tudo: os olhos de Jesus

Muitos anos atrás, antes mesmo de eu ser pastor, eu achava que já estava pronto para o ministério. Numa oração, Deus falou comigo de um jeito que virou divisor de águas.

"Você não está pronto. Você precisa de uma coisa."

Eu perguntei na hora: o que me falta?

"Você precisa ter os meus olhos."

E eu perguntei de novo: como são os teus olhos?

"São olhos de amor e de misericórdia. Você precisa aprender a olhar para as pessoas como eu as vejo."

Isso mudou a minha vida. Porque olhar as pessoas da perspectiva de Deus é o oposto do que fazemos naturalmente.

Nós olhamos com julgamento. Nós fazemos acepção de pessoas — muitas vezes sem perceber. Nós temos, no fundo, uma ideia de qual classe de gente cabe na igreja.

Eu já disse isso em outra ocasião e repito: a igreja não está preparada para toda classe de pessoas. Se entrar alguém muito diferente da gente, todo mundo olha. Se entrar um mendigo, as pessoas reparam. Se entrar um travesti, o ambiente inteiro se mexe.

Deveria estar preparada. Mas não está. E esse é exatamente o problema que Deus vai tratar com Pedro.


1. Cornélio: o homem bom que ainda precisava de Jesus

"Havia em Cesareia um homem chamado Cornélio, centurião do regimento conhecido como italiano. Ele e toda a sua família eram religiosos e tementes a Deus. Ele dava muitas esmolas ao povo e orava continuamente a Deus." — Atos 10:1-2

Marque esse currículo, porque ele é impressionante:

  • Religioso e temente a Deus — junto com toda a família
  • Generoso — dava muitas esmolas ao povo
  • Homem de oração — orava continuamente
  • Influente — liderava soldados e liderava bem a própria casa

Sejamos honestos: Cornélio tem características que muitos cristãos não têm. Espiritualmente e moralmente, ele está melhor do que muita gente que frequenta banco de igreja.

Por volta das três da tarde, ele tem uma visão. Um anjo o chama pelo nome, e ele responde apavorado: "O que é, Senhor?"

"As suas orações e esmolas subiram como oferta memorial diante de Deus. Agora, mande alguns homens a Jope para trazerem um certo Simão, chamado Pedro. Ele está hospedado na casa de Simão, o curtidor de couro, que fica perto do mar." — Atos 10:4-6

Repare no detalhe: Deus dá o nome, o apelido, a cidade, o anfitrião, a profissão do anfitrião e a localização da casa. Deus é detalhista. Ele não deixa margem para confusão quando está abrindo uma porta.

Cornélio obedece na hora: chama dois servos e um soldado religioso, conta tudo o que aconteceu e os envia.

Então vem a pergunta que trava o capítulo

Se Cornélio está tão bem — orando, sendo generoso, temente a Deus, com a oferta aceita diante do céu —, o que exatamente ele precisava de Pedro?

A resposta é a espinha dorsal deste estudo:

Boas obras não substituem o Evangelho.

E aqui é preciso ser muito claro, porque existe religião inteira construída em cima dessa confusão:

"Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie." — Efésios 2:8-9

Guarde esta frase, porque ela resolve o nó:

Nós não somos salvos POR boas obras. Nós somos salvos PARA boas obras.

Caridade é ótimo. Praticar o bem é admirável e é dever de todo cidadão de bem. Mas por mais boas obras que a gente faça, isso não nos torna pessoas boas por natureza — continuamos precisando da remissão dos nossos pecados. Mesmo praticando o bem, ainda pecamos.

Só Cristo reconcilia alguém com Deus.

Então Cornélio era religioso, sincero, generoso e orava. E ainda assim precisava ouvir sobre Jesus.

Todo mundo precisa de Jesus — independentemente do que faça, de quanto dê, de quão bem se comporte.


2. A visão de Pedro: o lençol e os animais impuros

Enquanto os homens de Cornélio viajam, Deus começa a trabalhar do outro lado.

"No dia seguinte, por volta do meio-dia, Pedro subiu ao terraço para orar. Tendo fome, queria comer; e enquanto a refeição estava sendo preparada, caiu em êxtase." — Atos 10:9-10

Ele vê o céu aberto e algo semelhante a um grande lençol descendo à terra, preso pelas quatro pontas. Dentro dele, toda espécie de quadrúpedes, répteis e aves.

E uma voz diz:

"Levante-se, Pedro; mate e coma."

A reação de Pedro é imediata e categórica:

"De modo nenhum, Senhor! Jamais comi algo impuro ou imundo."

Pela lei, havia animais que um judeu simplesmente não comia. E é justamente esses que aparecem na visão. Não é coincidência — é analogia.

A voz responde:

"Não chame impuro ao que Deus purificou."

E isso acontece três vezes seguidas, antes de o lençol ser recolhido ao céu.

Aqui está a chave de todo o capítulo: a visão usa as categorias alimentares judaicas, mas nunca foi sobre comida. Era sobre as pessoas que Pedro considerava impuras.

Deus estava tratando com ele a respeito da maneira como ele enxergava gente.


3. Deus trabalha nos dois lados ao mesmo tempo

Enquanto Pedro ainda refletia no significado da visão, os homens enviados por Cornélio chegam à porta perguntando por ele. E o Espírito diz:

"Simão, três homens estão procurando você. Portanto, levante-se, desça e não hesite em ir com eles, pois eu os enviei." — Atos 10:19-20

Repare no encaixe. Deus fala com Cornélio e o manda buscar Pedro. Deus fala com Pedro e o prepara para não recusar quando os homens chegarem.

Eu costumo dizer que aqui Deus mata dois coelhos com uma paulada só. Não deixa ninguém cego, não deixa ninguém sem entendimento. Trata os dois lados na mesma operação.

E há um princípio importante escondido nisso: quando alguém recebe uma profecia, Deus normalmente está apenas confirmando aquilo que já vinha falando ao coração da pessoa. Guarde isso.

De um lado, alguém buscando. Do outro, alguém sendo preparado para responder.

Antes que Pedro soubesse da existência de Cornélio, Deus já estava trabalhando na casa dele.


4. Conversão é um momento. Transformação é um processo.

Vale parar aqui, porque este ponto muda a forma como você lê a própria vida.

Pense em quem é Pedro nesse instante. Ele caminhou com Jesus durante três anos. Ele viu Jesus conversar com a samaritana. Ele viu Jesus tocar em leprosos. Ele ouviu a ordem de pregar o Evangelho a todas as nações. Ele recebeu o Espírito Santo em Pentecostes.

E mesmo assim ainda existiam nele bloqueios e paradigmas que Deus precisava quebrar.

A conversão acontece num momento. A transformação da mente é um processo.

Muita gente acha que quando se converteu resolveu tudo — que a vida mudou da noite para o dia, que agora é só esperar o céu. Na prática não é assim. Ninguém nasce de novo e amanhece santo com asinhas nas costas.

"Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus." — Romanos 12:2

Dá para amar Jesus, dá para estar genuinamente convertido, e ainda carregar conceitos que precisam ser confrontados pela Palavra. Por isso o estudo bíblico tem que confrontar. Se a Palavra nunca te incomoda, o problema não está na Palavra.

A gente vem do mundo carregando muita coisa que não presta — e traz junto tradições que nunca foram examinadas.

Eu já encontrei muitas pessoas que se converteram de verdade mas não se batizam por causa da tradição familiar — por algo que aprenderam na infância, ou para não ofender a família.

Isso não é novo na história. Quando Constantino se converte do paganismo ao cristianismo, em 313 d.C., ele traz para dentro da fé um monte de coisa que veio de fora dela. Ele era imperador e queria uma só igreja, sob seu comando — católica, do grego, significa universal. Muita coisa que hoje se pratica e não tem base bíblica entrou por ali.

E nós fazemos a mesma coisa em escala menor:

Às vezes a gente muda de ambiente, mas não muda de atitude.

Sair do mundo e entrar na igreja não é o fim da caminhada. É o começo dela.


5. A casa cheia: Cornélio não quis ouvir sozinho

Pedro parte com os homens, acompanhado de alguns irmãos. No dia seguinte chegam a Cesareia — e o que ele encontra é notável.

"Cornélio os esperava com seus parentes e amigos mais chegados." — Atos 10:24

Cornélio não esperou sozinho. Ele montou praticamente uma célula dentro de casa: convidou a família, convidou os amigos mais íntimos, encheu a sala.

Quando Pedro entra, Cornélio se prostra aos seus pés para adorá-lo. E Pedro o levanta na hora:

"Levante-se, eu sou apenas um homem como você."

Uma observação incômoda: se isso acontecesse hoje, quantos líderes teriam recebido a adoração em silêncio?

Então Pedro diz aos presentes a frase que mostra o tamanho da mudança que houve nele:

"Vocês sabem muito bem que é contra a nossa lei um judeu associar-se a um gentio ou mesmo visitá-lo. Mas Deus me mostrou que eu não devo chamar impuro ou imundo a homem algum. Por isso, quando fui procurado, vim sem levantar nenhuma objeção." — Atos 10:28-29

Ele entendeu a visão. Nunca foi sobre comida. Era sobre gente.

E Cornélio encerra a apresentação com uma das frases mais bonitas do capítulo:

"Agora estamos todos aqui na presença de Deus, para ouvir tudo o que o Senhor lhe mandou dizer."

Pedro encontrou o melhor ambiente possível para pregar. E não foi ele quem preparou.

O que isso cobra de nós

Aqui está o que falta na igreja de hoje.

A gente age como se o Evangelho fosse para a gente. Não pensa que o amigo também precisa ouvir. Não pensa no colega de trabalho, no vizinho, no parente. E o sintoma é simples de verificar: a gente não convida ninguém. Não convida para a igreja, não convida para um evento, não convida para nada.

Cornélio fez o contrário. Recebeu de Deus e imediatamente encheu a casa para que outros recebessem também.

E há um segundo lado disso. Muitas vezes ficamos calados porque presumimos que a pessoa não está interessada em ouvir. Mas nós não sabemos o que Deus já vem falando com ela.

Quantas vezes alguém que você mal conhece começa do nada a descarregar a vida em você, a contar o que está sofrendo? Tanta gente no mundo, e a pessoa desabafa justamente com você. Talvez Deus tenha preparado o ambiente para que você fale.

Nós somos boca de Deus. Trate cada encontro como oportunidade.

Onde quer que você vá — viagem, trabalho, fila, mesa de bar — vá atento.


6. A pregação de Pedro: Jesus no centro

Pedro abre a boca e a primeira coisa que sai é a conclusão a que Deus o levou:

"Agora percebo que Deus não trata as pessoas com parcialidade, mas de todas as nações aceita todo aquele que o teme e faz o que é justo." — Atos 10:34-35

E então ele prega. Repare no conteúdo:

  • Jesus de Nazaré, ungido com o Espírito Santo e com poder
  • Que andou por toda parte fazendo o bem e curando os oprimidos pelo diabo
  • Morto num madeiro em Jerusalém
  • Ressuscitado ao terceiro dia por Deus
  • Visto por testemunhas previamente designadas, que comeram e beberam com ele
  • Constituído juiz de vivos e mortos
  • E a conclusão: "todo aquele que nele crê recebe o perdão dos pecados por meio do seu nome"

Pedro não foi ali falar de si. Não foi falar de religião. Não foi dar opinião.

Ele foi falar de Jesus.

E é aqui que precisamos ser sinceros sobre o nosso tempo: as mensagens de hoje andam cada vez mais temáticas e cada vez menos cristocêntricas. Fala-se muito sobre igreja, sobre comportamento, sobre política, sobre doutrina. Tudo isso pode ter lugar — mas a mensagem central é uma só.

Cristo morreu pelos meus pecados, ressuscitou, é Senhor, e quem nele crê recebe perdão.

Religião não muda a vida de ninguém. Jesus muda.

E cuidado com uma tentação específica: complicar aquilo que Deus tornou simples. O Evangelho é profundo e é simples ao mesmo tempo. São as pessoas que complicam.


7. O Pentecostes dos gentios

Aí acontece o que ninguém no grupo de Pedro esperava.

"Enquanto Pedro ainda estava falando estas palavras, o Espírito Santo desceu sobre todos os que ouviam a mensagem." — Atos 10:44

Repare: enquanto ele ainda falava. Nem terminou o sermão. Não houve chamada, não houve procedimento, não houve exame prévio.

"Os judeus convertidos que vieram com Pedro ficaram admirados de que o dom do Espírito Santo fosse derramado também sobre os gentios."

Ficaram admirados — e essa admiração revela o quanto aquela barreira estava enraizada. Mas a promessa nunca foi exclusiva:

"Derramarei do meu Espírito sobre todos os povos." — Joel 2:28

Nós somos gentios. Essa promessa nos alcança.

Eles falaram em línguas e exaltaram a Deus, e Pedro conclui com uma pergunta que já não admite discussão:

"Pode alguém negar a água, impedindo que sejam batizados estes que receberam o Espírito Santo como nós?"

E ordena que sejam batizados em nome de Jesus Cristo.

Um parêntese necessário sobre línguas

Como esse ponto gera dúvida, vale separar duas coisas que a Bíblia trata de forma distinta:

A língua como sinal — é o que aparece aqui em Atos 10, acompanhando o batismo no Espírito Santo. Quem fala nessa língua "não fala aos homens, mas a Deus, pois ninguém o entende; em espírito fala mistérios" (1 Coríntios 14:2). É comunicação do seu espírito com o Espírito de Deus e serve para edificação própria — não exige plateia nem interpretação.

O dom de línguas — esse é ministrado à igreja reunida, e nesse caso exige interpretação, que por sua vez é outro dom.

São coisas diferentes, e confundi-las gera muita confusão desnecessária.


O que o grupo trouxe

Uma das melhores partes do estudo online é o que vem depois da exposição. Duas contribuições merecem ficar registradas.

Sobre boas obras e frutos. Cornélio tinha o perfil aparentemente perfeito, mas carregava uma visão distorcida sobre o que salva — e precisava ser confrontado. É a mesma situação de Dorcas, em Atos 9: mulher conhecida pelas boas obras e pela ajuda aos pobres. Somos salvos para produzir frutos, não por produzi-los. E isso é processo: encontrar Jesus e ser batizado é o primeiro passo, não a linha de chegada. Muita gente diz que se converteu quando na verdade apenas mudou de ambiente — saiu do mundo, entrou na igreja e continuou com as mesmas práticas.

E ficou uma frase excelente: no dia em que alcançarmos a estatura de pessoa perfeita, seremos levados desta terra.

Sobre Deus purificar o impuro. Uma das participantes lembrou de uma igreja no centro de uma cidade no Brasil, durante o Carnaval. Enquanto outras igrejas fechavam as portas, aquela deixava uma aberta — e as pessoas entravam. Vinham do meio da folia, às vezes com a roupa de carnaval, às vezes bêbadas, e recebiam Jesus ali. E voltavam depois, transformadas, já sem a fantasia.

A única diferença entre essa pessoa e alguém criado na igreja é que ela vai precisar de um pouco mais de discipulado. Só isso.

Todos nós somos impuros. Todos precisamos de salvação. Todos precisamos de Jesus.

Às vezes a gente se acha mais santo, considera o pecado do outro maior que o próprio. Mas estamos todos no mesmo barco, carecendo da mesma graça.


O perigo que sobra para nós

Termino no ponto que mais me confronta neste capítulo.

O nosso perigo é querer que as pessoas fiquem parecidas conosco antes de aceitarmos o que Deus está fazendo nelas.

Isso não é graça. Graça não diz "mude primeiro e depois venha".

Graça diz: venha como está — e aqui você será transformado.

Precisamos parar de ditar quem merece salvação. Precisamos derrubar as barreiras que atrapalham o Evangelho de chegar aonde precisa chegar.

Lembre de Paulo. O homem que perseguia a igreja virou um dos maiores pregadores da história. Improvável — e usado de forma poderosa.

Talvez você esteja hoje diante de alguém que você já julgou que nunca vai mudar. Alguém diferente de você, que não se encaixa nas suas expectativas. Pode ser exatamente ali que Deus vai fazer uma grande obra.

Deus não faz acepção de pessoas. Cor, origem, nível cultural, passado — nada disso entra na conta. Ele aceita todo aquele que o busca e derrama a sua graça e o seu Espírito.

Se Jesus não faz acepção de pessoas, nós também não podemos fazer.

Que a gente aprenda a amar como Ele amou — e a olhar para as pessoas com os olhos dele. É isso que vai fazer diferença neste mundo.


Este estudo faz parte do Discipulado Online da Igreja Hope, que percorre a Bíblia capítulo a capítulo toda terça-feira. Nos anteriores vimos o que a pressão revelou em Estêvão, em Atos 6 e como Deus transformou perseguição em expansão, em Atos 8.

Quer participar ao vivo? O encontro acontece toda terça às 8pm, pelo celular ou computador, de onde você estiver — peça o link pelo WhatsApp. É um espaço com lugar para pergunta, comentário e conversa, e boa parte do que há de melhor vem justamente daí.

Se você prefere presencial, a Hope também tem o Estudo Bíblico às quartas, 7pm.

E se você quer caminhar isso em comunidade durante a semana, conheça as células da Igreja Hope.


Referências bíblicas: Atos 1:8 · Atos 8:4-8 · Atos 9:1-19 · Atos 9:36-42 · Atos 10:1-48 · Efésios 2:8-10 · Romanos 12:2 · Joel 2:28 · 1 Coríntios 14:2 · 1 Coríntios 12:10 · João 4:1-30

Perguntas frequentes

O que acontece em Atos 10 e por que esse capítulo é tão importante?
Atos 10 registra a abertura oficial do Evangelho aos gentios — ou seja, a todos os povos não judeus. Deus coloca frente a frente o centurião romano Cornélio e o apóstolo Pedro, separados por uma barreira cultural e religiosa que chegava a ter força de lei. O capítulo termina com o Espírito Santo sendo derramado sobre gentios e com o batismo deles em nome de Jesus. É o cumprimento prático de Atos 1:8: o Evangelho saindo de Jerusalém rumo aos confins da terra.
Quem foi Cornélio na Bíblia?
Cornélio era um centurião romano do regimento conhecido como italiano, estacionado em Cesareia — um oficial que comandava cerca de cem soldados. Atos 10:2 o descreve como religioso e temente a Deus junto com toda a sua família, generoso com esmolas ao povo e homem de oração constante. Era gentio, e não judeu, o que torna sua conversão o marco da entrada dos não judeus na igreja.
O que significa 'não chame impuro ao que Deus purificou'?
A frase aparece em Atos 10:15, na visão em que Pedro vê um lençol descendo do céu com animais considerados impuros pela lei judaica e ouve a ordem de matar e comer. A visão usa categorias alimentares, mas o assunto nunca foi comida: Deus estava tratando da maneira como Pedro enxergava pessoas. O próprio Pedro faz essa leitura em Atos 10:28, ao dizer que Deus lhe mostrou que ele não devia chamar impuro ou imundo a homem algum.
Se Cornélio era um homem bom, por que ele precisava ouvir o Evangelho?
Porque boas obras não substituem o Evangelho. Cornélio orava, era generoso e temente a Deus — tinha características que muitos cristãos não têm —, mas nada disso salva. Efésios 2:8-9 é direto: somos salvos pela graça, por meio da fé, e não por obras. Por isso Deus enviou um anjo para que ele mandasse buscar Pedro: faltava-lhe ouvir sobre Jesus e crer nele.
Boas obras salvam uma pessoa?
Não. A forma mais simples de guardar isso é: não somos salvos POR boas obras, somos salvos PARA boas obras (Efésios 2:8-10). Praticar o bem é dever e é admirável, mas não muda a nossa natureza nem apaga o pecado — mesmo fazendo o bem, continuamos pecando e precisando de perdão. Só Cristo reconcilia alguém com Deus.
O que significa dizer que 'Deus não faz acepção de pessoas'?
É a conclusão a que Pedro chega em Atos 10:34-35: 'Deus não trata as pessoas com parcialidade, mas de todas as nações aceita todo aquele que o teme e faz o que é justo'. Significa que origem, etnia, posição social ou nível cultural não contam na hora da salvação. E cobra uma consequência prática da igreja: se Jesus não faz distinção entre pessoas, seus seguidores também não podem fazer.
Por que os gentios falaram em línguas em Atos 10?
Enquanto Pedro ainda pregava, o Espírito Santo desceu sobre todos os que ouviam, e eles falaram em línguas e exaltaram a Deus (Atos 10:44-46). O sinal serviu de prova para os judeus convertidos que acompanhavam Pedro: era a mesma manifestação que eles próprios haviam recebido em Pentecostes. Foi isso que levou Pedro a perguntar se alguém poderia negar a água do batismo a quem havia recebido o Espírito Santo como eles.
Qual é a diferença entre a língua como sinal e o dom de línguas?
A língua como sinal acompanha o batismo no Espírito Santo, como em Atos 10. Segundo 1 Coríntios 14:2, quem fala nessa língua não fala aos homens, mas a Deus, em mistérios — é comunicação do espírito da pessoa com o Espírito de Deus e serve para edificação própria, sem exigir interpretação. Já o dom de línguas é ministrado à igreja reunida e, nesse caso, requer o dom da interpretação para que a congregação seja edificada.
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Pastor Márcio Gonçalves

Pastor Fundador da Igreja Hope Sarasota. Conduz o Estudo Bíblico Online semanal, percorrendo a Bíblia capítulo a capítulo com a comunidade.

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Este artigo é baseado na mensagem pregada ao vivo.
Assista no canal da Igreja Hope Sarasota.

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