Como Perdoar Alguém Que Te Feriu Profundamente
Perdoar não é dizer que a ofensa não foi grave, nem declarar inocente quem é culpado, nem permitir que alguém continue te ferindo. É reconhecer que existe uma dívida real — e escolher não passar o resto da vida tentando cobrá-la.
Como se perdoa uma traição? Como se perdoa alguém que mentiu sobre você, que abusou da sua confiança, que simplesmente foi embora?
Talvez você já saiba que a Bíblia manda perdoar. Talvez já tenha ouvido dezenas de mensagens sobre isso. Mas dentro de você ainda existe uma pergunta que ninguém respondeu:
Como posso perdoar alguém que não merece o meu perdão?
E existe um medo por trás dela: se eu perdoar, vou estar dizendo que o que fizeram comigo não foi tão grave assim.
Não é isso. E entender isso é onde tudo começa.
"Livrem-se de toda amargura, indignação e ira, gritaria e calúnia, bem como de toda maldade. Sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, assim como Deus os perdoou em Cristo." — Efésios 4:31-32
Perceba onde Paulo coloca a base do perdão cristão.
Ele não disse: perdoem porque a ofensa foi pequena. Ele não disse: perdoem porque a pessoa merece. Ele não disse: perdoem depois que ela pedir desculpas do jeito certo.
Ele disse: perdoem assim como Deus os perdoou em Cristo.
A base do seu perdão não está no merecimento de quem te feriu. Está na misericórdia que você mesmo recebeu.
Perdoar não é dizer que não houve ofensa
Se não existisse uma ofensa verdadeira, não seria necessário perdoar. O perdão existe justamente porque algo errado aconteceu.
Alguém te feriu. Alguém quebrou a sua confiança. Alguém causou um prejuízo. Alguém deixou uma dívida dentro de você — e talvez te deva uma explicação, um pedido de desculpas, uma reparação. Ou algo que nunca vai conseguir devolver.
Perdoar não é negar que essa dívida existe.
Perdoar é escolher não passar o restante da vida tentando cobrá-la.
Essa é a diferença que muda tudo. E é por isso que Jesus falou tanto sobre perdão: colocou no Pai Nosso, respondeu a Pedro sobre quantas vezes perdoar, contou a história de um homem perdoado de uma dívida impagável que se recusou a perdoar uma dívida pequena, e ensinou que a falta de perdão interfere na nossa vida de oração.
Perdão não é assunto secundário na vida cristã. Não é opção para quem tem personalidade tranquila. Não é sugestão para quem esquece fácil.
Perdão é decisão de obediência, expressão da graça de Deus operando dentro de nós — e caminho de libertação.
Aqui estão sete razões pelas quais precisamos perdoar.
1. Perdoamos porque fomos perdoados
Quando olhamos apenas para quem nos feriu, encontramos motivos de sobra para não perdoar. Lembramos o que ela fez, o que ela falou, como nos tratou, as consequências que a atitude dela produziu.
Mas quando olhamos para a cruz, lembramos que nós também tínhamos uma dívida que jamais conseguiríamos pagar.
Foi por isso que, em Mateus 18, Jesus contou a história de um servo que devia ao rei dez mil talentos. Uma dívida absurda, impagável. Chamado para prestar contas, o homem se ajoelhou: "Tem paciência comigo, eu te pagarei tudo."
O rei sabia que ele nunca pagaria. E, movido de compaixão, cancelou a dívida inteira.
Aquele servo saiu dali sem dever mais nada. Recebeu misericórdia. Recebeu uma nova oportunidade.
E então encontrou outro servo, que lhe devia cem denários.
A segunda dívida era real — o outro homem realmente lhe devia. Mas era uma quantia insignificante perto daquela que acabara de ser cancelada. Mesmo assim, o primeiro servo o agarrou pelo pescoço e exigiu: "Pague-me o que você me deve."
O outro fez exatamente o mesmo pedido: "Tem paciência comigo, e eu te pagarei."
Ele se recusou. Mandou prendê-lo até que a dívida fosse paga.
Quando o rei soube, chamou aquele servo e disse: "Servo mau, eu cancelei toda a sua dívida porque você me suplicou. Você não devia também ter tido misericórdia do seu conservo, como eu tive de você?"
Jesus não estava dizendo que a dívida de cem denários não existia. Ela existia. Era real.
O problema é que aquele homem se esqueceu do tamanho da misericórdia que recebeu.
A cruz não diminui a gravidade daquilo que fizeram contra você. Ela lembra a grandeza daquilo que Deus fez por você.
Quem compreende de verdade o quanto foi perdoado encontra graça para perdoar.
2. Perdoar não é inocentar — é cancelar a cobrança
Muita gente trava aqui. Pensa: se eu perdoar, estarei dizendo que a pessoa não é culpada.
Mas o perdão nunca declarou ninguém inocente. Só existe perdão porque existe culpa. Se a pessoa não tivesse feito nada errado, não haveria o que perdoar.
Colossenses 2 diz que Deus perdoou nossos pecados e cancelou o escrito da dívida que havia contra nós. Perdoar é cancelar uma dívida.
Quando alguém nos fere, sentimos que essa pessoa passou a nos dever alguma coisa. Um pedido de desculpas. Uma verdade dita em público. A devolução da confiança. Uma reparação.
E muitas vezes pensamos: ela precisa pagar. Ela precisa sentir a mesma dor que eu senti. Eu só ficarei em paz quando ela pagar.
Perdoar é dizer outra coisa:
Você me feriu. O que você fez foi errado. As consequências foram reais. Mas eu não vou passar o resto da minha vida tentando fazer você pagar. Eu entrego essa dívida e essa justiça nas mãos de Deus.
Foi exatamente isso que Jesus fez conosco. Deus não olhou para os nossos pecados e declarou que não tinham importância — o pecado era tão sério que Jesus precisou morrer. Ele não fingiu que a dívida não existia: colocou a nossa dívida sobre Cristo. Jesus pagou o preço, e Deus nos ofereceu o perdão.
Perdoar não é chamar o mal de bem. Não é dizer que a mentira virou verdade, que a traição deixou de ser traição, que o abuso nunca aconteceu.
Perdoar é reconhecer a ofensa e entregar a cobrança a Deus.
O que o perdão não significa
Essa parte precisa ficar clara, porque é onde mais se erra — e onde mais se machuca gente que já está machucada.
Perdão não elimina todas as consequências. Uma pessoa pode ser perdoada e ainda precisar responder legalmente pelo que fez. Pode ser perdoada e ainda precisar reparar o dano que causou.
Perdão não é o mesmo que confiança. O perdão pode ser oferecido como decisão de graça. A confiança precisa ser reconstruída — com arrependimento, verdade, mudança e tempo. O perdão pode acontecer em um momento; a reconstrução da confiança pode levar meses ou anos. Em alguns casos, talvez nunca volte a ser como era.
Perdão não é o mesmo que reconciliação. Para perdoar, basta a decisão de uma pessoa diante de Deus. Para se reconciliar, é preciso a participação das duas — reconhecimento do erro, arrependimento, mudança de comportamento, disposição de reconstruir.
Por isso você pode perdoar alguém que não quer se reconciliar. Pode perdoar quem nunca pediu desculpas. Pode perdoar quem já morreu. Pode perdoar alguém de quem não é mais seguro estar perto.
Perdoar não significa permanecer em um ambiente abusivo. Não significa permitir que alguém continue te ferindo. Não significa abrir mão de limites necessários.
Estabelecer limites não é falta de perdão. Você pode perdoar e ainda dizer: "Eu não vou permitir que isso continue acontecendo."
O perdão entrega a vingança a Deus. Ele não te obriga a agir como se nada tivesse acontecido.
3. A falta de perdão mantém a ofensa viva dentro de você
"Cuidem que ninguém se exclua da graça de Deus, que nenhuma raiz de amargura brote e cause perturbação, contaminando a muitos." — Hebreus 12:15
A ofensa é aquilo que fizeram contra você. A amargura é aquilo que você permite que a ofensa produza dentro de você.
Uma raiz fica escondida debaixo da terra. Ninguém a vê. Mas com o tempo, aquilo que está escondido começa a dar frutos.
A amargura pode ficar escondida no coração por muito tempo. A pessoa continua sorrindo, trabalhando, indo à igreja, cantando louvores, servindo a Deus — e existe uma raiz crescendo por dentro.
Um dia os frutos aparecem: ira, ressentimento, ódio, desejo de vingança, desconfiança, frieza, irritação constante, dificuldade de amar. E aquela satisfação incômoda quando algo ruim acontece com quem nos feriu.
E a amargura contamina o que não tem nada a ver com a ferida original. Alguém foi traído em um relacionamento e passa a desconfiar de todo mundo. Foi ferido por um líder e passa a rejeitar toda liderança. Foi abandonado uma vez e passa a acreditar que todos vão embora.
A ferida aconteceu em um relacionamento. A amargura atinge todos os outros. É por isso que Hebreus diz que ela contamina a muitos.
E existe uma ironia cruel nisso: muitas vezes a pessoa que te feriu já seguiu a vida dela. Enquanto isso, você continua discutindo com ela dentro da sua própria cabeça. Continua imaginando o que deveria ter respondido. Continua sentindo a dor de algo que aconteceu há anos.
O acontecimento terminou. Mas emocionalmente você continua preso naquele momento.
Enquanto não perdoamos, continuamos ligados a quem nos feriu. A pessoa pode nem estar mais presente — e continua ocupando espaço dentro de você.
Perdoar não muda o passado. Mas impede que o passado continue governando o seu presente.
4. A falta de perdão abre espaço para o inimigo agir
Em 2 Coríntios 2, Paulo orienta a igreja a perdoar e restaurar alguém que havia se arrependido. E depois explica por quê:
"Eu lhes perdoei na presença de Cristo, a fim de que Satanás não tivesse vantagem sobre nós, pois não ignoramos as suas intenções." — 2 Coríntios 2:10-11
Paulo liga diretamente a falta de perdão à possibilidade de Satanás obter vantagem.
O inimigo nem sempre produz a ferida. Muitas vezes as pessoas nos ferem pelas próprias escolhas, pelo próprio egoísmo, pela própria imaturidade. Mas o inimigo usa a ferida.
Ele pega a dor e transforma em ressentimento. O ressentimento em amargura. A amargura em ódio. O ódio em desejo de vingança. E, com o tempo, a pessoa ferida começa a se parecer com aquilo que ela mais condenava.
Efésios 4 diz: "Quando vocês ficarem irados, não pequem. Apaziguem a ira antes que o sol se ponha, e não deem lugar ao diabo."
Existe uma ira legítima diante da injustiça — sentir indignação diante do mal não é necessariamente pecado. O problema começa quando alimentamos essa ira, quando permitimos que ela se instale e passe a governar nossas palavras, nossas decisões, nossos relacionamentos.
Aí o que começou como ferida causada por outra pessoa se transforma em uma porta aberta dentro de nós.
Talvez você não consiga controlar o que fizeram com você. Mas pode decidir não entregar ao inimigo o controle sobre o que vai acontecer dentro do seu coração.
5. Deus leva o nosso perdão a sério
Quando Jesus ensinou o Pai Nosso, incluiu o perdão: "Perdoa as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores."
E, terminada a oração, ele voltou especificamente a esse ponto:
"Pois, se perdoarem as ofensas uns dos outros, o Pai celestial também lhes perdoará. Mas, se não perdoarem uns aos outros, o Pai celestial não lhes perdoará as ofensas." — Mateus 6:14-15
São palavras sérias. E precisam ser entendidas com precisão.
Isso não significa que conquistamos a salvação por meio das nossas obras. Somos salvos pela graça, por meio da fé em Cristo Jesus. O perdão que oferecemos não compra o perdão de Deus.
Mas a disposição de perdoar é evidência de que realmente compreendemos e recebemos essa graça.
Não dá para dizer "Deus, trate-me segundo a sua misericórdia" e depois dizer ao próximo "eu vou tratar você exatamente conforme o que você merece". Não dá para pedir "Senhor, não cobre de mim a dívida dos meus pecados" enquanto seguramos alguém pelo pescoço dizendo "você vai me pagar tudo".
Quem foi perdoado por Deus desenvolve um coração que perdoa.
Isso não quer dizer que perdoar seja fácil. Nem que todas as emoções desapareçam de uma vez. Pode existir um processo de cura. Pode existir uma batalha. Pode ser necessário voltar à presença de Deus muitas e muitas vezes.
Mas há uma diferença enorme entre alguém que está lutando para perdoar e alguém que decidiu que jamais perdoará.
Você pode chegar diante de Deus e dizer: "Senhor, eu ainda estou ferido. Eu ainda sinto dor quando lembro. Minhas emoções ainda não acompanharam a minha decisão — mas eu escolho entregar essa dívida a ti. Ajuda-me a perdoar."
Isso já é o início da libertação.
Muitas vezes a decisão vem primeiro. Depois é que o Senhor trata as emoções.
6. A falta de perdão interfere na sua vida de oração
"E, quando estiverem orando, se tiverem alguma coisa contra alguém, perdoem-no, para que também o Pai celestial lhes perdoe os seus pecados." — Marcos 11:25
Observe a cena que Jesus descreve. A pessoa está orando. Está diante de Deus. Talvez esteja pedindo uma resposta, buscando um milagre, apresentando uma necessidade urgente, pedindo que Deus abra uma porta.
E, no meio da oração, lembra que guarda algo contra alguém.
Jesus diz: perdoe.
Não podemos separar a nossa comunhão com Deus da maneira como tratamos as pessoas. Não podemos levantar as mãos diante de Deus mantendo o coração fechado para o próximo. Não podemos pedir misericórdia para nós e alimentar vingança contra outro.
Repare que Jesus não disse "quando vocês sentirem vontade de perdoar". Ele disse "quando estiverem orando". O perdão é uma decisão espiritual tomada na presença de Deus — não um sentimento que se espera chegar.
E isso significa que a pessoa que te feriu nem precisa estar presente. Ela pode morar em outra cidade, em outro país. Pode nunca ter pedido desculpas. Pode nem reconhecer o mal que praticou. Pode já ter morrido.
Você ainda assim pode começar o processo diante de Deus.
Jesus completa o quadro em Mateus 5: "Se você estiver apresentando sua oferta diante do altar e ali se lembrar de que seu irmão tem algo contra você, deixe sua oferta ali, vá primeiro reconciliar-se com seu irmão, e depois volte e apresente a sua oferta."
Em Marcos 11, Jesus fala de quando nós temos algo contra alguém. Em Mateus 5, de quando alguém tem algo contra nós. Nos dois casos, a lição é a mesma: não dá para ignorar relacionamentos quebrados em nome da espiritualidade.
Pedro aplica o mesmo princípio ao casamento, em 1 Pedro 3: os maridos devem conviver com suas esposas com sabedoria e honra, "para que não sejam interrompidas as suas orações". O texto é específico sobre o casamento, mas o princípio é largo — a nossa vida espiritual não está desconectada dos nossos relacionamentos.
Às vezes aquilo que precisa ser tratado durante a oração não está diante de nós. Está dentro de nós.
Talvez você esteja orando por uma porta aberta, e o Espírito Santo esteja chamando você para liberar perdão. Talvez esteja pedindo uma resposta, e Deus esteja tratando uma raiz de amargura.
7. O perdão pode precisar ser renovado muitas vezes
Pedro se aproximou de Jesus com uma pergunta que parecia generosa:
"Senhor, quantas vezes deverei perdoar meu irmão quando ele pecar contra mim? Até sete vezes?"
Alguns mestres judeus ensinavam que se devia perdoar até três vezes. Pedro dobrou o número, acrescentou mais uma e provavelmente esperava um elogio.
Jesus respondeu: "Não até sete, mas até setenta vezes sete."
Jesus não estava estabelecendo um limite de 490 ofensas, como se pudéssemos anotar cada uma e, na de número 491, dizer: "pronto, agora estou liberado".
Ele estava ensinando que o perdão não é contabilidade. Não vivemos contando quantas vezes oferecemos misericórdia.
Isso não significa aceitar passivamente pecados repetidos. Existem comportamentos que precisam ser confrontados. Existem ciclos destrutivos que precisam ser interrompidos. Existem situações em que é necessário estabelecer limites, buscar ajuda, proteger pessoas vulneráveis e permitir que a justiça cumpra o seu papel.
Perdoar repetidamente não é permitir que alguém peque repetidamente contra você sem qualquer consequência.
Mas existem feridas cujo perdão precisa ser reafirmado muitas vezes dentro de nós. Você perdoa hoje, e amanhã a lembrança volta.
Quando a memória reaparece, isso não significa necessariamente que você nunca perdoou. Significa que talvez seja necessário reafirmar:
Eu já entreguei essa dívida a Deus. Não vou voltar a cobrá-la dentro da minha mente. Não vou alimentar de novo aquilo que eu entreguei ao Senhor. Eu escolho continuar caminhando no perdão.
A decisão de perdoar pode acontecer em um momento. A cura emocional pode levar tempo.
Setenta vezes sete talvez também signifique reafirmar muitas vezes a decisão que você já tomou.
"Eu entendo tudo isso. Mas eu não consigo."
Talvez seja exatamente aí que você esteja. Você sabe que é uma ordem de Jesus. Sabe que a falta de perdão está te fazendo mal. E mesmo assim não consegue.
Com a sua própria força, talvez você realmente não consiga.
A reação natural de quem foi ferido é revidar. É querer que o outro pague. É se proteger, alimentar ressentimento, buscar vingança. Isso é natural.
Mas a vida cristã não foi projetada para ser vivida apenas com a força natural. Deus nos deu o Espírito Santo.
Em Atos 7 encontramos Estêvão, o primeiro mártir. A Bíblia diz que ele era um homem cheio de fé, de graça, de poder e do Espírito Santo. Por anunciar a verdade sobre Jesus, foi levado diante das autoridades. Levantaram falsas acusações contra ele, rejeitaram a mensagem, arrastaram-no para fora da cidade e começaram a apedrejá-lo.
Enquanto as pedras atingiam o seu corpo, Estêvão orou: "Senhor Jesus, recebe o meu espírito."
E então ajoelhou-se e clamou em alta voz: "Senhor, não os consideres culpados deste pecado."
Como alguém consegue orar assim enquanto está sendo morto?
Estêvão não estava perdoando uma ofensa pequena. Aquelas pessoas estavam tirando a vida dele. E mesmo assim ele pediu que Deus não lhes atribuísse aquele pecado.
Isso não vem da força humana. Estêvão conseguiu orar assim porque estava cheio do Espírito Santo — o mesmo Espírito que estava em Jesus na cruz, quando ele orou: "Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem."
Estêvão estava tão cheio de Cristo que, quando foi ferido, respondeu como Cristo.
O perdão não é a vitória da força humana sobre a dor. É a vitória da graça de Deus dentro de nós.
Talvez você não consiga perdoar sozinho. Mas você não precisa fazer isso sozinho. Você pode orar:
Espírito Santo, eu não tenho forças para isso. A minha natureza quer cobrar. A minha carne quer revidar. A minha mente continua voltando à ofensa. Produz em mim aquilo que eu não consigo produzir sozinho.
O Espírito Santo não apaga a verdade do que aconteceu com você. Não diz que a dor não foi real. Não chama o mal de bem. Mas ele capacita você a responder de outra maneira.
Talvez você ainda chore quando lembrar. Talvez ainda precise conversar com alguém maduro, buscar aconselhamento, estabelecer limites. Talvez exista um longo processo de cura pela frente.
Mas você não precisa continuar em cativeiro.
José: reconhecer o mal e ainda assim perdoar
José viveu isso na pele. Os próprios irmãos o odiaram, jogaram-no em uma cisterna, venderam-no como escravo e mentiram para o pai. Por causa deles, José perdeu a casa, a família, a liberdade e muitos anos da vida.
Mais tarde, governador do Egito, ele teve o poder de se vingar. Os irmãos estavam diante dele sem reconhecê-lo. Poderia tê-los prendido. Poderia ter feito com eles o que fizeram com ele. Poderia ter cobrado cada ano de sofrimento.
Ele chorou, confrontou a verdade, provou o coração dos irmãos — e escolheu perdoar.
"Vocês planejaram o mal contra mim, mas Deus o tornou em bem." — Gênesis 50:20
Repare que José não chamou o mal de bem. Ele disse claramente: vocês planejaram o mal. Reconheceu, afirmou, nomeou.
E reconheceu também que a maldade dos irmãos não teve poder para destruir os propósitos de Deus.
Perdoar não é dizer que o que fizeram foi bom. É reconhecer que Deus continua sendo poderoso para redimir aquilo que outros tentaram destruir.
Talvez tenham feito mal contra você. Mas o mal que fizeram não precisa ter a palavra final sobre a sua vida. Deus ainda pode transformar feridas em testemunho, lágrimas em maturidade — e usar a sua história como fonte de cura para outras pessoas.
A resposta
Por que precisamos perdoar?
Porque fomos perdoados por Deus de uma dívida que jamais conseguiríamos pagar.
Porque não queremos passar a vida cobrando uma dívida que já entregamos ao Senhor.
Porque a falta de perdão mantém a ofensa viva dentro de nós.
Porque a falta de perdão abre espaço para o inimigo agir.
Porque Deus leva o perdão muito a sério.
Porque a falta de perdão interfere na nossa vida de oração.
Porque Jesus nos ensinou a oferecer misericórdia continuamente.
E porque o Espírito Santo nos capacita a fazer aquilo que não conseguimos com a nossa própria força.
Lembre-se do que o perdão não é: não é dizer que não doeu, não é dizer que foi aceitável, não é confiar imediatamente, não é continuar perto de quem permanece te ferindo, não é impedir as consequências.
Perdoar é dizer:
Eu não vou permitir que essa dívida continue governando a minha vida. Eu não vou continuar preso ao que fizeram contra mim. Eu não vou entregar ao inimigo o controle do meu coração. Eu entrego essa pessoa, essa ofensa e essa dívida nas mãos de Deus.
Talvez, lendo isto, um nome tenha vindo à sua mente. Talvez exista uma situação que você evita até lembrar. Talvez exista uma ferida escondida há muitos anos — você seguiu a vida, mas uma parte do seu coração continua presa naquele acontecimento.
O Espírito Santo não traz isso à memória para te ferir de novo. Ele pode estar trazendo para começar um processo de cura.
Talvez você ainda não consiga dizer "eu não sinto mais nada". Mas pode começar dizendo:
Senhor, eu escolho perdoar. Ajuda-me naquilo que eu ainda não consigo. Trata as minhas emoções. Cura as minhas memórias. Liberta-me da amargura. Eu entrego a ti aquilo que não consigo carregar.
Jesus cancelou uma dívida que você jamais conseguiria pagar. Agora ele chama você a entregar a ele as dívidas daqueles que te feriram.
Perdoar não é libertar apenas quem te feriu. É permitir que Deus liberte também o seu coração.
No vídeo abaixo, o Pastor Márcio desenvolve cada uma das sete razões com mais profundidade — a parábola dos dez mil talentos, a raiz de amargura em Hebreus 12, Estêvão sendo apedrejado e José diante dos irmãos. Se este estudo falou ao seu coração, compartilhe com alguém que precisa começar esse processo de cura.
Este é o terceiro estudo da série Discipulado na Prática. Nos anteriores, o Pastor Márcio tratou de o que separa um crente de um discípulo e de por que orar se Deus já sabe do que precisamos.
E se você precisa caminhar isso com outras pessoas — não sozinho —, conheça as células da Igreja Hope: grupos que se encontram durante a semana para orar e estudar a Palavra juntos.
Referências bíblicas: Mateus 18:21-35 · Efésios 4:26-32 · Colossenses 2:13-14 · Hebreus 12:15 · 2 Coríntios 2:10-11 · Mateus 6:12-15 · Marcos 11:25 · Mateus 5:23-24 · 1 Pedro 3:7 · Atos 7:54-60 · Lucas 23:34 · Gênesis 50:20 · Romanos 12:19
Perguntas frequentes
Como perdoar alguém que te feriu profundamente?
Perdoar significa esquecer ou dizer que a ofensa não foi grave?
Qual é a diferença entre perdão, confiança e reconciliação?
Preciso perdoar mesmo se a pessoa nunca pediu desculpas?
Perdoar significa voltar a conviver com quem me machuca?
O que Jesus quis dizer com perdoar setenta vezes sete?
A falta de perdão atrapalha a vida de oração?
Série Discipulado na Prática
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Estudos bíblicos simples, profundos e aplicáveis ao dia a dia, com o Pastor Márcio Gonçalves. Assista ao episódio completo, deixe seu comentário e compartilhe com alguém que precisa ouvir isso hoje.
Pastor Márcio Gonçalves
Pastor Fundador da Igreja Hope Sarasota e criador do canal Discipulado na Prática no YouTube. Ensina a Bíblia de forma simples, profunda e aplicável à vida real.
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Este artigo é baseado na mensagem pregada ao vivo.
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