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Série Perguntas Difíceis: De Onde Veio o Sofrimento? Duas Quedas e Uma Esperança
Mensagens Série: Perguntas Difíceis

De Onde Veio o Sofrimento? Duas Quedas e Uma Esperança

Se Deus é bom e não criou o mal, de onde o sofrimento saiu? A Bíblia responde em três tempos: a origem em duas quedas, a presença de um Deus que chorou, e um fim já escrito em Apocalipse 21:4.

Pastor Eduardo Brito 27 de setembro de 2026
Romanos 8:18

Se Deus é bom, por que existe tanta dor?

Essa é, provavelmente, a pergunta mais feita — e a mais difícil de responder — em toda a fé cristã. Ela aparece no velório, no corredor do hospital, na conversa com o vizinho que não crê. E aparece também dentro da igreja, muitas vezes em silêncio.

Este é o segundo estudo da série Perguntas Difíceis, e o Pastor Eduardo Brito escolheu não responder pela metade. Ele não trata o sofrimento como um assunto a ser explicado embora, mas percorre a Bíblia atrás de três respostas distintas: de onde o sofrimento veio, onde Deus está enquanto ele dura, e como ele termina.


"Considero, pois, que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória que em nós será revelada." — Romanos 8:18


Repare de quem é a frase. Paulo escreve isso para a igreja de Roma — uma das comunidades que mais sofreram por causa do evangelho. Não é a palavra de alguém observando a dor de longe. É a palavra de alguém que estava dentro dela.

Deus não precisa de advogado

A palavra apologética vem do grego apologia, e significa defesa, resposta racional. É o que esta série faz: apresentar razões bíblicas para a fé.

Mas é preciso deixar uma coisa clara antes de começar: fazer apologética não é advogar por Deus. Deus não precisa de defensor, não depende do julgamento de ninguém e não aguarda veredito de promotor algum. A Bíblia o apresenta como o próprio justo juiz.

Fazer apologética não é defender Deus das perguntas. É deixar de responder pelo que eu acho para começar a responder pelo que está escrito.

E esse é o risco real quando o assunto é sofrimento: a gente troca teologia por opinião. Diante de uma dor concreta, é fácil dizer a primeira coisa que vem à cabeça — e a primeira coisa que vem à cabeça costuma machucar mais do que ajudar. A alternativa é mais trabalhosa e muito melhor: voltar às Escrituras e examinar.

As perguntas movem mais que as respostas

Existe uma frase antiga de um canal educativo brasileiro que vale para aqui: não são as respostas que movem o mundo, são as perguntas.

Faz sentido. A resposta encerra o assunto; a pergunta obriga a pensar. Ela tira a pessoa do raso e a empurra para além do que ela vê e do que ela achava.

Dentro do tema desta noite cabem, na verdade, três perguntas: Quem é Deus? O que é a bondade de Deus? O que é o sofrimento? Nenhuma delas se responde em quarenta minutos. Então o caminho aqui é outro — seguir a estrutura que Paulo dá em Romanos 8:18 e entender o sofrimento como ele é: real, presente e temporário.


1. O sofrimento entrou no mundo por causa das quedas

No plural. Esse é o primeiro ponto, e ele começa corrigindo um hábito: a gente está acostumado a falar de a queda. A Bíblia mostra duas.

"Então, o grande dragão foi lançado fora. Ele é a antiga serpente chamada Diabo ou Satanás, que engana o mundo todo. Ele e os seus anjos foram lançados na terra." — Apocalipse 12:9

"Finalmente, declarou ao homem: 'Visto que você deu ouvidos à voz da sua mulher e comeu da árvore da qual ordenei a você que não comesse, maldita é a terra por sua causa; com dores você comerá dela todos os dias da sua vida.'" — Gênesis 3:17

A primeira é a queda do acusador. A segunda é a queda do homem. E o detalhe mais revelador é que, nas duas, o desejo por trás é o mesmo:

O que foi dito Onde está
Primeira queda "Serei semelhante ao Altíssimo" Isaías 14:14
Segunda queda "Serão como Deus" Gênesis 3:5

Duas quedas, uma única raiz: querer o lugar de Deus. E é dessa raiz — não de um defeito de fabricação do mundo — que a dor entrou na história. A terra passou a produzir com dor porque a relação com o Criador foi rompida.

Então Deus criou o mal?

Aqui está a pergunta que trava a maioria das conversas sobre sofrimento. E a resposta bíblica é direta: não. Deus não criou o mal e não é o autor do mal. Todo o caráter de Deus, de Gênesis a Apocalipse, é bom.

Mas aí vem a réplica inevitável: se Ele é bom e não criou o mal, de onde o mal saiu?

Saiu de onde sai qualquer mal até hoje — de uma escolha. E a possibilidade de escolher não é um descuido de Deus. É o que nos faz gente.

Deus não nos criou marionetes. Nenhuma máquina, por sofisticada que seja, tem vida própria — ela obedece à programação. Nós não fomos programados; nós fomos criados à imagem dele, com capacidade de decidir.

Pense num carro, no mais avançado que existir: ele faz exatamente o que foi mandado fazer. Um robô, o mais moderno da automação, também. Você não conhece nenhuma máquina com capacidade real de escolha — ela sempre vai obedecer ao que foi programado.

Se Deus tivesse nos criado assim, não haveria pecado. Mas também não haveria amor, obediência nem fidelidade — porque nada disso existe sem a alternativa de dizer não. Seríamos bons no sentido em que um elevador é bom: por não ter opção.

E é isso que responde a acusação de que Deus "armou uma armadilha" no Éden. Não armou. A árvore no meio do jardim não era uma pegadinha — era a condição sem a qual obedecer não teria significado nenhum.

Escolha e consequência andam juntas. Não existe escolher o caminho errado e ficar livre do resultado — nem no mundo físico nem no mundo moral.

Um carro a 200 por hora não faz uma curva de noventa graus. Isso não é castigo da física; é a física. Do mesmo modo, nossas decisões carregam frutos — bons quando obedecemos, amargos quando não.

A árvore continua no meio do caminho

Hoje não existe mais uma árvore física no meio de um jardim. Mas todos os dias, diante de mim e de você, se coloca a mesma escolha que se colocou ali: obedecer a Deus ou ceder.

Então não há como transferir a conta para Adão. Com toda a Bíblia aberta, com todo o conhecimento que temos, aquela árvore reaparece de manhã em forma de decisão.

Isso tem uma consequência importante e libertadora: nós não somos peças passivas de um destino. Deus nos deu a faculdade de decidir — e onde há decisão, há caminho de volta.

É preciso dizer com cuidado, porque a dor tem causas diferentes: isso não significa que todo sofrimento seja resultado de uma escolha da pessoa que sofre. A Bíblia é explícita ao negar essa equação — Jesus a desmontou em João 9:3, diante do cego de nascença, e em Lucas 13:2-5, diante de duas tragédias da época. Se você quer entender por que esta dor específica chegou à sua vida, o Pastor Márcio tratou exatamente disso em Se Deus é bom, por que Ele permite o sofrimento? — lá a pergunta é diagnóstica; aqui ela é de origem.


2. Deus não fica distante do nosso sofrimento

Esse é o segundo ponto — e é onde a resposta cristã deixa de ser filosofia e passa a ser notícia.

Todas as grandes religiões têm uma explicação para a dor. Só uma delas afirma que Deus entrou nela.

"Jesus chorou. Então, os judeus disseram: 'Vejam como ele o amava!'" — João 11:35-36

Duas palavras. É o versículo mais curto da Bíblia e um dos mais profundos. Jesus está diante do sepulcro de Lázaro — e Ele sabia o que ia fazer em seguida. Sabia que Lázaro sairia dali vivo. E chorou de todo modo.

Ele não chorou por falta de solução. Chorou porque aquela perda doía. E as pessoas ao redor leram corretamente o que estavam vendo: "vejam como ele o amava."

Nosso Deus não ficou no céu como espectador da nossa dor. Ele veio sentir o que eu sinto, o que você sente, o que todos nós sentimos.

Jesus veio 100% homem e 100% Deus. O profeta já tinha anunciado séculos antes:

"Era desprezado e rejeitado pelos homens, um homem de dores e experimentado no sofrimento." — Isaías 53:3

E Ele experimentou em todas as esferas: rejeição, pobreza, perseguição, injustiça, abandono, dor física, humilhação — e a própria morte. Não há um tipo de sofrimento humano sobre o qual Jesus não possa dizer eu sei como é.

A palavra que explica tudo isso é compaixão

Os evangelhos repetem essa palavra a cada vez que Jesus se aproxima de alguém quebrado: Ele "teve compaixão".

Compaixão não é ter pena de longe. É sentir junto — se colocar no lugar do outro e carregar a mesma dor.

E é exatamente isso que precisa existir entre nós como igreja. Quando alguém chega com um problema, a resposta cristã não é diagnóstico nem conselho apressado: é sentar do lado e sentir junto. Era o que Jesus fazia.

Então, se você está perguntando "será que Deus está vendo isso?", a resposta de João 11 é sim. Ele está vendo, e não está impassível. As suas lágrimas não passam despercebidas por Ele.

"Lázaro, venha para fora"

Jesus não parou no choro. Ele pediu para ser levado até o sepulcro, deu uma ordem — "Lázaro, venha para fora" — e devolveu o irmão à família.

O mesmo Jesus que chorou é o que ressuscita. A compaixão dele não é impotente. Ele sente com você, e Ele tem poder sobre aquilo que está morto na sua história.


3. O sofrimento não terá a palavra final da história

Terceiro ponto, e é a resposta que Romanos 8:18 vinha prometendo desde o início.

"Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois as coisas antigas já passaram." — Apocalipse 21:4

Muita gente abre Apocalipse esperando encontrar só destruição e fim do mundo. Mas apocalipse significa revelação — e o que ele revela, no fim, é esperança.

Porque é aqui que está dito, em letras claras: a história da humanidade não vai terminar como começou. Ela vai terminar em restauração.

Paulo faz essa conta em Romanos 5: o primeiro Adão trouxe a queda; o segundo Adão — Cristo — trouxe a restauração. A história não é um círculo que volta ao Éden perdido. É uma linha que termina em algo melhor do que o Éden, porque agora está garantida.

E é Deus mesmo quem enxuga as lágrimas. Não é um anjo, não é o tempo, não é o esquecimento. É Ele, pessoalmente, um a um.

O que "não se comparam" quer dizer

Volte ao versículo-base. Paulo não diz que o sofrimento é pequeno. Não diz que não dói. Não diz para fingir que está tudo bem.

Ele diz que não dá para comparar.

"Pois os nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles." — 2 Coríntios 4:17

"Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou no coração humano o que Deus preparou para aqueles que o amam." — 1 Coríntios 2:9

Nada do que somos capazes de imaginar — nenhuma paisagem, nenhuma beleza, nem o melhor que a ficção já produziu — chega perto do que está preparado. E o melhor não é o lugar; é a duração. Um dia, uma semana, um mês, um ano, cem anos, mil, um milhão, um bilhão — e ainda não começou a acabar.

Então a conclusão desta mensagem cabe em três frases:

  • A dor é real, mas não é eterna.
  • As lágrimas são reais, mas não são definitivas.
  • A morte é real, mas Jesus venceu a morte.

O que fazer com isso na segunda-feira

Uma resposta bíblica que não muda a semana não serviu de muita coisa. Então, concretamente:

1. Pare de perguntar só "por quê" e comece a perguntar "até quando". "Por que isso comigo?" é uma pergunta legítima, mas muitas vezes sem resposta disponível nesta vida. "Até quando?" tem resposta: até Apocalipse 21:4. Habacuque fez exatamente essa pergunta — e o próprio Deus a respondeu. Tratamos disso em Quando você não entende Deus, aprenda a confiar.

2. Não use a fé para não sentir. Jesus chorou sabendo que ia ressuscitar Lázaro. Se Ele chorou, você pode chorar. Espiritualidade não é anestesia.

3. Seja o João 11 de alguém esta semana. Tem gente perto de você esperando não um conselho, mas companhia. Compaixão é sentir junto — e isso é algo que você consegue fazer hoje.

4. Cuide das suas escolhas de hoje. Boa parte do que vai doer em dezembro está sendo decidido agora. Onde há escolha, há consequência — e também há caminho de volta.

5. Resolva o que é eterno. Todo o argumento desta mensagem depende de uma coisa: que exista para você uma glória futura. Sem Cristo, o sofrimento não é temporário — ele é o que resta. Foi na cruz que Jesus venceu o pecado, venceu o sofrimento e abriu o direito à vida eterna.

Se hoje você quer reconhecer Jesus como único e suficiente Salvador, ou voltar a andar com Ele depois de um tempo longe, venha nos visitar num sábado — ou procure uma célula perto de você. Ninguém precisa resolver isso sozinho.


Uma última coisa

Jó perdeu filhos, bens e saúde sendo íntegro. A resposta que ele recebeu não foi uma explicação — foi um encontro. Se é isso que você está procurando agora, leia Por que coisas ruins acontecem com pessoas boas?.

E se você está no meio de uma perda, doença ou injustiça enquanto lê isto: o mesmo Jesus que chorou em Betânia sabe o seu nome. A dor é real. Ela não é a última palavra.

Sejamos fiéis. A coroa está guardada, e quem a prometeu não falha.

Assista ao culto completo — Pastor Márcio

Perguntas frequentes

De onde veio o sofrimento, segundo a Bíblia?
De duas quedas, não de uma. Apocalipse 12:9 registra a queda do acusador e dos anjos lançados na terra; Gênesis 3:17 registra a queda do homem, quando a terra passou a produzir com dor. Nas duas, a raiz foi a mesma: querer o lugar de Deus — “serei semelhante ao Altíssimo” (Isaías 14:14) e “serão como Deus” (Gênesis 3:5).
Deus criou o mal?
Não. A Bíblia não apresenta Deus como autor do mal em nenhum ponto; todo o seu caráter é bom. O mal surgiu de uma escolha criada — e a possibilidade de escolher não é um descuido, é o que nos torna seres à imagem de Deus. Sem alternativa de dizer não, não existiria amor, obediência nem fidelidade, apenas programação.
O que significa Romanos 8:18?
Paulo escreve que “os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória que em nós será revelada”. Ele não diz que a dor é pequena nem que não dói — diz que não há como compará-la com o que vem depois. É a palavra de alguém escrevendo a uma igreja que sofria perseguição real, não a observação de quem via a dor de longe.
Por que Jesus chorou diante do túmulo de Lázaro?
Porque a perda doía — e não por falta de solução, já que Ele sabia que ia ressuscitar Lázaro em seguida (João 11:35-36). É a prova de que Deus não é espectador da nossa dor: em Cristo Ele entrou nela. Isaías 53:3 já o anunciava como “homem de dores e experimentado no sofrimento”.
O sofrimento vai acabar algum dia?
Sim. Apocalipse 21:4 afirma que Deus enxugará toda lágrima e que não haverá mais morte, tristeza, choro nem dor. A história não termina como começou: Romanos 5 mostra que o primeiro Adão trouxe a queda e o segundo Adão, Cristo, trouxe a restauração. A dor é real, mas não é eterna.
Se Deus é bom, por que Ele não impede o sofrimento agora?
Impedir toda consequência exigiria retirar a capacidade de escolha — e sem escolha não haveria amor nem obediência, apenas obediência programada. Deus não elimina o efeito das decisões humanas neste tempo; Ele entrou no sofrimento em Cristo e marcou o fim dele em Apocalipse 21:4. O que Ele promete não é ausência de dor hoje, é que a dor não terá a palavra final.
Todo sofrimento é castigo por algum pecado?
Não. Jesus negou essa equação duas vezes: diante do cego de nascença, disse que aquilo não era pecado dele nem dos pais (João 9:3); e diante de duas tragédias da época, negou que as vítimas fossem mais pecadoras (Lucas 13:2-5). A Bíblia não dá a mesma explicação para toda dor, e é justamente aí que costumamos errar ao aconselhar alguém.
O que significa compaixão na Bíblia?
Significa sentir junto, e não ter pena de longe. Os evangelhos usam essa palavra a cada vez que Jesus se aproxima de alguém quebrado. Aplicado à igreja, quer dizer que a resposta cristã ao sofrimento de um irmão não é diagnóstico nem conselho apressado: é presença — sentar do lado e carregar a mesma dor.
de onde veio o sofrimento Romanos 8:18 Deus criou o mal por que existe o mal no mundo as duas quedas Apocalipse 21:4 Jesus chorou João 11:35 apologética cristã série Perguntas Difíceis

Pastor Eduardo Brito

Pastor Auxiliar da Igreja Hope Sarasota, à frente do Ministério da Família junto com a Pastora Marcilene Brito.

Quer ouvir o sermão completo?

Este artigo é baseado na mensagem pregada ao vivo.
Assista no canal da Igreja Hope Sarasota.

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