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Série Em Fuga: A Diferença Entre Remorso e Arrependimento
Mensagens Série: Em Fuga

A Diferença Entre Remorso e Arrependimento

O remorso olha para o passado; o arrependimento muda o futuro. Parecem a mesma coisa e não são — e a diferença entre elas é o que separa quem sofre pelo que fez de quem é transformado por Deus.

Pastor Jean Rothen 15 de setembro de 2026
Jonas 3:8

Existe uma frase que resolve, em oito palavras, uma confusão que trava a vida de muita gente:

O remorso olha para o passado. O arrependimento muda o futuro.

Parecem a mesma coisa. Não são. E a diferença entre elas é o que separa uma pessoa que sofre pelo que fez de uma pessoa que é transformada por Deus.

Foi sobre isso que o Pastor Jean Rothen, de Juazeiro do Norte, pregou no culto de sábado na Igreja Hope — usando a cidade de Nínive como espelho.


"Converteram-se, cada um do seu mau caminho e da violência que há em suas mãos." — Jonas 3:8


Antes do texto: um transformador que explodiu

O pastor começou contando algo que viveu semanas atrás, numa cruzada de fé no interior do Brasil.

A equipe chegou numa segunda-feira e se hospedou no único hotel da cidade, na praça central. Assim que ligaram a luz do quarto, o ar-condicionado ligou e desligou. Segundos depois, o transformador no centro da cidade explodiu.

Ficaram dois dias e meio no escuro, num calor sufocante — o quarto do pastor não tinha nem janela. A equipe inteira reclamando de mosquito, e uma revolta crescendo no coração de todos.

Até começarem a discernir que aquilo era espiritual.

Descobriram que, exatamente onde ficava aquele transformador, havia funcionado no passado o maior terreiro da cidade. O quarteirão inteiro ficou sem energia por aqueles dois dias e meio.

Na primeira noite, ele encontrou uma igreja tímida. Então chamaram os pastores locais, dobraram os joelhos e fizeram um ato profético: pediram perdão e se arrependeram pela cidade.

"Senhor, restaura essa cidade."

Naquele momento ele teve uma visão: uma mão divina ligando um disjuntor.

No dia seguinte a energia voltou. E a segunda noite de conferência foi, nas palavras dele, sobrenatural — como se um disjuntor espiritual tivesse sido religado. Houve muitos milagres. Um dos homens mais temidos da cidade se converteu e foi às três noites, levando a esposa.

Tudo aquilo destravou a partir de um arrependimento.


1. A Palavra não veio só para confortar. Veio para confrontar.

"A palavra do Senhor veio a Jonas pela segunda vez, dizendo: Levante-se, vá à grande cidade de Nínive e proclame contra ela a mensagem que eu lhe darei." — Jonas 3:1-2

Repare no verbo: proclame contra ela.

Deus não mandou Jonas a Nínive para entreter. Não mandou levar uma mensagem confortável. Mandou confrontar aquele povo.

E aqui está uma verdade que a igreja de hoje precisa reaprender:

A Palavra de Deus não foi dada apenas para nos consolar. Ela também vem para nos confrontar.

Muita gente monta na cabeça um Deus carrasco — "hoje Deus é bom, amanhã Deus está me castigando". Como se o confronto fosse rejeição.

Não é. A palavra de confronto do Senhor não é rejeição — é convite à transformação. Quando Deus confronta, Ele está chamando de volta. E quando chama de volta, é porque quer abençoar.

Diga em voz alta, porque isso muda a leitura de tudo:

Deus me ama demais para eu permanecer como estou.

A escola onde 400 alunos deram as costas

O pastor contou de um evangelismo numa escola com cerca de 400 alunos. Os professores não queriam que eles falassem e inflamaram os estudantes. Quando ele começou a falar, havia uns dez alunos no meio e todos os outros afastados, nas laterais, de propósito.

Então ele disse algo que não estava no roteiro:

"Eu estou aqui como Pilatos — vou lavar as mãos. Estou aqui falando do Rei Jesus. Se você acha que não precisa que nada aconteça na sua casa, na sua família, eu estou lavando as mãos. Você vai fazer com Jesus o que você quiser."

E continuou: "Quem sabe seus pais precisam de ajuda em casa. Quem sabe seu pai ou sua mãe foi embora e você tem uma raiva dentro de você — e você não se arrepende dessa ira."

Os que estavam em pé nas laterais vieram para o meio. Começaram a chorar. E houve salvação naquele lugar.

Foi preciso confronto.

O que a Palavra faz por dentro

"Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais afiada que qualquer espada de dois gumes; ela penetra até o ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e julga os pensamentos e intenções do coração." — Hebreus 4:12

A Palavra não vem apenas informar a mente. Ela entra no coração e traz discernimento. Ela revela aquilo que a gente não quer enxergar: a dureza do coração, o orgulho, aquilo que a gente fica justificando e escondendo.

E quando ela vem confrontar, não dá para fugir dela.


2. Arrependimento não é remorso

Chegamos ao centro do texto — e o próprio pastor disse que é ali que está o coração da mensagem:

"E se converteram, cada um do seu mau caminho e da violência que há em suas mãos." — Jonas 3:8

Arrependimento não é sentir tristeza. Não é ficar mal pela situação. Não é remorso.

Remorso é dizer: "Eu errei, e pronto."

Arrependimento é dizer: "Eu errei — e não quero mais continuar nesse caminho."

O remorso olha para o passado. O arrependimento muda o futuro.

Davi e Saul: dois arrependimentos, dois resultados

A Bíblia coloca os dois lado a lado para a gente comparar.

Saul se arrependeu para se acertar com as pessoas — para se retratar diante dos anciãos, para preservar a imagem. Era arrependimento de fachada.

Davi, no Salmo 51, disse outra coisa:

"Cria em mim um coração puro, ó Deus, e renova dentro de mim um espírito estável. Então ensinarei os teus caminhos aos transgressores."

Davi estava dizendo: antes de pecar contra qualquer pessoa, eu pequei contra o Senhor — e o meu arrependimento é para com Ele.

Isso é arrependimento sincero. O outro era só reparo de imagem.


3. O arrependimento precisa dar fruto

"Produzam frutos que mostrem o arrependimento." — Mateus 3:8

João Batista escolheu a palavra fruto de propósito, porque fruto é a única coisa da árvore que pode ser vista.

O verdadeiro arrependimento começa no coração e aparece na vida.

E aqui vem uma observação do pastor que é forte demais para deixar passar. Nas cruzadas, ele conta, as pessoas que mais se manifestam não são as envolvidas com vício ou prostituição.

São as que carregam mágoa e ressentimento — e não se arrependem disso.

Gente que vai guardando ódio, levando aquilo pela vida inteira, sem nunca tratar. Você conhece alguém que não consegue perdoar ninguém? Que tem raiva de pessoas? Essa é a ferida que menos se admite e mais adoece.

O homem que não quis se converter — e a chave que a esposa deixou

Numa visita, um casal: ela convertida, ele resistente de todo jeito. A sala da casa era onde ele fazia trabalhos espirituais.

Quando os dois iam viajar num fim de semana, ela fez uma cópia da chave e entregou ao pastor: "Enquanto estivermos fora, vão lá orar dentro de casa."

Eles foram, oraram naquela sala — onde havia uma imagem grande sobre uma banqueta — e foram embora.

Na volta, ela ligou dizendo que o marido entrava naquela sala e se arrepiava todo. Dizia: "Tem alguma coisa acontecendo ali dentro."

Até que um dia ele passou ao lado da banqueta, esbarrou na imagem, ela caiu e quebrou — e aquele homem se converteu.

Hoje ele é pastor.

O arrependimento e a entrega daquela mulher trouxeram salvação para a casa inteira.


4. Tome posse do perdão

Esta parte é pastoral, e vale para muito mais gente do que parece.

Em 1998, ano em que se converteu, o pastor acordava às três da manhã, pegava o violão e ia cantar louvores na sala. Numa dessas madrugadas, ajoelhado na frente do sofá, começou a se sentir profundamente acusado — palavras vindo, culpas voltando.

Então teve uma visão.

Não estava mais na sala. Estava de joelhos diante de um mar de água cristalina, e as ondas vinham e batiam na sua cabeça. Dos lados dele começaram a se formar papéis — acusações, culpas, coisas que ele precisava tratar, e outras que ele já havia tratado com Deus mas que continuavam acusando.

A água vinha, batia, pegava aqueles papéis e levava para o fundo do mar.

E então ele sentiu uma mão nas costas, e uma voz:

"É assim que eu te perdoo. Eu jogo no mar do esquecimento e não me lembro mais."

A diferença que liberta

Aqui está o ponto que o pastor fez questão de explicar com cuidado, dizendo que não estava criando doutrina, mas compartilhando o que aprendeu:

Existe gente que se arrependeu de verdade, abandonou o pecado — e ainda assim continua pedindo perdão pela mesma coisa, ano após ano, vivendo debaixo de condenação.

"Quem confessa e abandona alcança misericórdia." — Provérbios 28:13

Aquilo que você abandonou não precisa ser pedido de novo. Deus olha e diz: "Eu não me lembro mais." Mas o inimigo olha e diz: "Está com dúvida se Deus perdoou?" — e a acusação continua.

Tome posse do perdão.

Isso não elimina a prática diária. Precisamos ter uma vida de arrependimento — hoje à noite, antes de dormir, colocar a vida diante de Deus e tratar o que houve de errado no dia, com nome e endereço. Pecados específicos.

Uma coisa é confessar o de hoje. Outra é ficar reabrindo o que Deus já enterrou.


5. Nínive: quando a cidade inteira respondeu

A mensagem que Jonas levou não tinha nada de agradável:

"Daqui a quarenta dias Nínive será destruída."

Ele não pregou para agradar. Pregou uma mensagem que revelou a condição espiritual daquela cidade.

E olhe a resposta:

"Os ninivitas creram em Deus, proclamaram jejum e vestiram-se de pano de saco, do maior ao menor." — Jonas 3:5

O próprio rei se levantou do trono, tirou as vestes reais, cobriu-se de pano de saco e sentou-se sobre cinzas.

Mas repare no que importa:

O mais importante não foi o que aconteceu com as roupas do rei. Foi o que aconteceu com o caminho do rei.

O texto não diz que eles fizeram uma demonstração. Diz que se converteram cada um do seu mau caminho. Eles estavam dizendo, com a vida: não queremos continuar sendo o que éramos.

Nínive poderia ter ignorado. Poderiam ter dito "esse cara é doido", ou "a gente não precisa mudar". Era uma cidade inteira, e o mensageiro era um estrangeiro com um recado impopular.

Mas a fé que a Palavra despertou produziu resposta.

E aqui está o encaixe final, em Jonas 3:10:

"Deus viu o que eles fizeram e como se converteram do seu mau caminho; então Deus se arrependeu e não levou a efeito a destruição com que os havia ameaçado."

Deus viu o que eles fizeram. Não viu apenas o jejum. Não viu apenas o pano de saco. Viu a mudança de caminho — e começou um tempo novo.

"Se essa nação se converter da sua maldade, eu me arrependerei do mal que pensava fazer-lhe." — Jeremias 18:7-8

Isso muda a natureza da mensagem de Jonas: aquela advertência não era uma sentença. Era um chamado. Deus estava dizendo àquele povo: abandonem o caminho da destruição e voltem-se para mim.

Deus confronta porque deseja restaurar.


6. Não basta ouvir

"Sejam praticantes da palavra, e não apenas ouvintes, enganando-se a si mesmos." — Tiago 1:22

A Palavra de Deus não foi enviada para produzir emoção. Não veio para a gente sair do culto dizendo "como foi bom hoje" e continuar exatamente igual na segunda-feira.

E existe uma frase do pastor que desmonta uma ilusão bem comum entre nós, brasileiros que vivemos longe de casa:

Você pode mudar de país e não mudar de caráter.

Mudar de endereço é fácil. Mudar de caminho é outra coisa.


Se você acha que foi longe demais

Talvez você esteja lendo isso e pensando: eu fui longe demais. Minha família não tem mais jeito. Errei demais. Deus não pode mais me usar. Já passou tempo demais.

A história de Nínive existe para dizer o contrário.

Enquanto houver um coração disposto a voltar para Deus, há espaço para misericórdia.

"Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça." — 1 João 1:9

E sobre o tempo perdido: quando Deus promete restituir os anos que o gafanhoto comeu, Ele não está falando só de colheita. Está falando de tempo. Para Deus não existe "passou tempo demais".

Só que essa restauração começa por dentro — há alicerces no nosso interior que precisam ser derrubados para que Deus assente os dele. E tudo começa com arrependimento.

Nínive era uma cidade inteira. Mas Deus começou confrontando o indivíduo.

O avivamento daquela cidade começou com arrependimento pessoal. E o arrependimento dentro da sua casa começa com o seu.

Então a pergunta que fica não é sobre a cidade, nem sobre a sua família:

Qual é o confronto que Deus está trazendo para você?


Esta foi uma edição especial da série Em Fuga, sobre o livro de Jonas, com o Pastor Jean Rothen como pregador convidado — pastor em Juazeiro do Norte, no Ceará, e responsável por cruzadas de fé por todo o Brasil, com quem a Igreja Hope tem caminhado em parceria.

Nos estudos anteriores da série vimos por que é impossível fugir da presença de Deus, por que Deus às vezes envia a tempestade, o que acontece quando chegamos ao fundo e, também em Jonas 3, o Deus que dá segundas chances.

Assista à mensagem completa no vídeo abaixo. Os testemunhos ganham muito na voz de quem os viveu, e há momentos ali que não cabem no texto. Se a palavra falar com você, deixe seu like e se inscreva no canal — e compartilhe com alguém que precisa entender a diferença entre sofrer pelo passado e mudar de caminho.

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Referências bíblicas: Jonas 3:1-10 · Hebreus 4:12 · Mateus 3:8 · Tiago 1:22 · Jeremias 18:7-8 · 1 João 1:9 · Salmos 51:10-13 · Provérbios 28:13 · Joel 2:25

Assista ao culto completo — Pastor Márcio

Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre remorso e arrependimento?
Remorso é sentir tristeza pelo que se fez — é dizer 'eu errei, e pronto'. Arrependimento é dizer 'eu errei e não quero mais continuar nesse caminho'. A forma mais simples de guardar a distinção é esta: o remorso olha para o passado, o arrependimento muda o futuro. Em Jonas 3:8 o texto não diz que os ninivitas ficaram tristes, e sim que 'se converteram cada um do seu mau caminho' — houve mudança de direção, não apenas de sentimento.
O que significa 'produzam frutos dignos de arrependimento'?
A frase é de João Batista, em Mateus 3:8. Ele escolheu a palavra fruto de propósito, porque o fruto é a parte da árvore que pode ser vista. O verdadeiro arrependimento começa no coração e aparece na vida: muda atitudes, relacionamentos e escolhas concretas. Sem esse fruto visível, o que houve foi emoção, não conversão.
Qual foi a diferença entre o arrependimento de Davi e o de Saul?
Saul se arrependeu para se acertar com as pessoas — queria se retratar diante dos anciãos e preservar a própria imagem. Davi, no Salmo 51, orou 'cria em mim um coração puro, ó Deus, e renova dentro de mim um espírito estável', reconhecendo que antes de pecar contra qualquer pessoa havia pecado contra Deus. Um era reparo de imagem; o outro, arrependimento sincero diante do Senhor.
Preciso continuar pedindo perdão por um pecado que já abandonei?
Não. Provérbios 28:13 diz que quem confessa e abandona alcança misericórdia. Muita gente se arrepende de verdade, abandona a prática e mesmo assim continua pedindo perdão pela mesma coisa durante anos, vivendo debaixo de condenação. Deus diz que joga no mar do esquecimento e não se lembra mais; a acusação que insiste depois disso não vem dele. Isso não elimina a prática diária de colocar a vida diante de Deus e tratar o que houve de errado no dia.
Por que Deus mandou Jonas confrontar Nínive em vez de confortá-la?
A ordem em Jonas 3:2 é 'proclame contra ela'. Jonas não foi levar entretenimento nem uma mensagem agradável: pregou que em quarenta dias a cidade seria destruída, revelando a condição espiritual daquele povo. A Palavra de Deus não foi dada apenas para consolar — ela também confronta. E o confronto não é rejeição: é chamado de volta, porque Deus confronta querendo restaurar.
O que Hebreus 4:12 ensina sobre a Palavra de Deus?
Que a Palavra é viva e eficaz, mais afiada que qualquer espada de dois gumes, e penetra até dividir alma e espírito, juntas e medulas, julgando os pensamentos e as intenções do coração. Ou seja: ela não vem apenas informar a mente, vem entrar no coração e revelar aquilo que não queremos enxergar — a dureza, o orgulho, aquilo que ficamos justificando.
A ameaça de destruição de Nínive era uma sentença definitiva?
Não. Jeremias 18:7-8 explica o princípio: se a nação se converter da maldade contra a qual Deus falou, ele se arrepende do mal que pensava fazer. Jonas 3:10 registra exatamente isso — Deus viu que eles se converteram do seu mau caminho e não levou a efeito a destruição. A advertência não era sentença, era chamado.
Basta ouvir a Palavra para ser transformado?
Não. Tiago 1:22 manda ser praticante da Palavra e não apenas ouvinte, para não se enganar a si mesmo. A Palavra não foi enviada para produzir emoção passageira — sair do culto dizendo que foi bom e seguir igual na segunda-feira não é transformação. Como resumiu o pregador: é possível mudar de país e não mudar de caráter.
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Pastor Jean Rothen

Pastor em Juazeiro do Norte, no Ceará, realiza cruzadas de fé por todo o Brasil. Pregou como convidado na Igreja Hope Sarasota, dentro da série Em Fuga.

Quer ouvir o sermão completo?

Este artigo é baseado na mensagem pregada ao vivo.
Assista no canal da Igreja Hope Sarasota.

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