INTRODUÇÃO
Depois de falar sobre liderança saudável no capítulo 1 e sobre a graça que forma o caráter no capítulo 2, Paulo encerra a carta mostrando como essa mesma graça deve se manifestar no relacionamento do cristão com a sociedade, com a igreja e com a própria vida.
A igreja em Creta vivia em um ambiente moralmente difícil, e por isso havia o risco de os crentes reagirem ao mundo ao redor da mesma forma que o mundo age: com dureza, orgulho, discussões e divisão. Paulo então lembra a Tito que o evangelho não apenas salva pessoas do inferno, mas também transforma a maneira como elas vivem na terra.
Tito 3 é um capítulo profundamente evangelístico e pastoral, porque mostra três verdades centrais: quem éramos sem Cristo, o que Deus fez por nós em sua graça, e como devemos viver depois de sermos alcançados por essa graça.
APLICAÇÃO
1 – A graça muda a forma como o cristão vive no mundo (3:1–2)
Paulo começa instruindo Tito a lembrar os irmãos de que devem ser submissos às autoridades, obedientes, prontos para toda boa obra, não difamarem ninguém, evitarem discussões e demonstrarem verdadeira mansidão para com todos (Tt 3:1–2).
Isso mostra que a fé cristã não pode ser separada da vida pública. O evangelho deve ser percebido na forma como o crente responde à sociedade, à autoridade, às pessoas e até aos conflitos.
Essa mesma ideia aparece em Romanos 13:1, quando Paulo ensina que toda autoridade procede de Deus, e também em
¹ Lembre a todos que se sujeitem aos governantes e às
autoridades, sejam obedientes, estejam sempre prontos a fazer
² não caluniem a ninguém, sejam pacíficos e amáveis e
mostrem sempre verdadeira mansidão para com todos os
homens.
³ Houve tempo em que nós também éramos insensatos e
desobedientes, vivíamos enganados e escravizados por toda
espécie de paixões e prazeres. Vivíamos na maldade e na
inveja, sendo detestáveis e odiando-nos uns aos outros.
⁴ Mas quando se manifestaram a bondade e o amor pelos
homens da parte de Deus, nosso Salvador,
⁵ não por causa de atos de justiça por nós praticados, mas
devido à sua misericórdia, ele nos salvou pelo lavar
regenerador e renovador do Espírito Santo,
⁶ que ele derramou sobre nós generosamente, por meio de Jesus
Cristo, nosso Salvador.
⁷ Ele o fez a fim de que, justificados por sua graça, nos
tornemos seus herdeiros, tendo a esperança da vida eterna.
⁸ Fiel é esta palavra, e quero que você afirme categoricamente
essas coisas, para que os que crêem em Deus se empenhem na
prática de boas obras. Tais coisas são excelentes e úteis aos
homens.
⁹ Evite, porém, controvérsias tolas, genealogias, discussões e
contendas a respeito da lei, porque essas coisas são inúteis e
sem valor.
¹⁰ Quanto àquele que provoca divisões, advirta-o uma e duas
vezes. Depois disso, rejeite-o.
¹¹ Você sabe que tal pessoa se perverteu e está em pecado; por
si mesma está condenada.
¹² Quando eu lhe enviar Ártemas ou Tíquico, faça o possível
para vir ao meu encontro em Nicópolis, pois decidi passar o
inverno ali.
¹³ Providencie tudo o que for necessário para a viagem de
Zenas, o jurista, e de Apolo, de modo que nada lhes falte.
¹⁴ Quanto aos nossos, que aprendam a dedicar-se à prática de
boas obras, a fim de que supram as necessidades diárias e não
sejam improdutivos.
¹⁵ Todos os que estão comigo lhe enviam saudações. Saudações
àqueles que nos amam na fé. A graça seja com todos vocês.
PARALELOS
¹ To dos devem sujeitar - s e à s
autoridades governamentais, pois não
há autoridade que não venha de Deus;
as autoridades que existem foram por
ele estabelecidas.² Portanto, aquele
que se rebela contra a autoridade está
se colocando contra o que Deus
instituiu, e aqueles que assim
procedem trazem condenação sobre si
¹⁴ Façam tudo sem queixas nem
discussões,¹⁵ para que venham a
tornar-se puros e irrepreensíveis, filhos
de Deus inculpáveis no meio de uma
geração corrompida e depravada, na
qual vocês brilham como estrelas no
universo, Filipenses 2:14,15
¹ Vocês estavam mortos em suas
transgressões e pecados,² nos quais
costumavam viver, quando seguiam a
presente ordem deste mundo e o
príncipe do poder do ar, o espírito que
agora está atuando nos que vivem na
desobediência.³ Anteriormente, todos
nós também vivíamos entre eles,
satisfazendo as vontades da nossa
carne, seguindo os seus desejos e
pensamentos. Como os outros, éramos
por natureza merecedores da ira.
⁸ Meu Pai é glorificado pelo fato de
vocês darem muito fruto; e assim serão
meus discípulos.
Filipenses 2:14–15, onde ele diz que os crentes devem fazer tudo sem murmuração nem discussões, brilhando como luzes no mundo.
O cristão não foi chamado para viver em espírito de confronto constante, mas para ser um reflexo do caráter de Cristo. Isso não significa passividade diante do erro, mas um testemunho marcado por humildade, mansidão e boas obras.
2 –A salvação é totalmente fruto da misericórdia e da graça de Deus (3:3–7)
Paulo então faz uma pausa e relembra a condição humana antes da conversão: “Houve tempo em que nós também éramos insensatos, desobedientes, enganados e escravizados por toda espécie de paixões e prazeres” (Tt 3:3). Ele inclui a si mesmo, mostrando que ninguém está acima da necessidade da graça.
Esse versículo é importante porque nos impede de olhar para o mundo com arrogância. Antes de Cristo, todos estávamos perdidos. Efésios 2:1–3 reforça isso ao dizer que estávamos mortos em nossos pecados e seguindo os desejos da carne.
Mas então Paulo apresenta uma das expressões mais belas do evangelho: “Quando, porém, se manifestaram a bondade e o amor pelos homens da parte de Deus, nosso Salvador, não por causa de atos de justiça por nós praticados, mas devido à sua misericórdia, ele nos salvou” (Tt 3:4–5).
A salvação não é recompensa por desempenho espiritual. Ela é fruto da misericórdia de Deus. Paulo explica que isso acontece “mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo” (Tt 3:5), revelando que a obra da salvação não é apenas perdão judicial, mas também transformação interior.
Jesus falou dessa mesma realidade em João 3:5, quando disse que é necessário nascer da água e do Espírito. Em 2 Coríntios 5:17, Paulo afirma que, se alguém está em Cristo, é nova criação. A graça não apenas nos perdoa; ela nos faz novos.
3 –Quem foi salvo pela graça deve viver de forma útil e frutífera (3:8–15)
Depois de explicar a base da salvação, Paulo mostra sua
consequência prática. Ele afirma que essa mensagem é digna de confiança e que os crentes devem se empenhar na prática de boas obras (Tt 3:8).
Isso é importante porque a graça não nos salva pelas obras, mas nos salva para as boas obras. A mesma verdade aparece em Efésios 2:8–10: somos salvos pela graça mediante a fé, mas fomos criados em Cristo para praticar boas obras.
Paulo também adverte Tito a evitar discussões tolas, genealogias, controvérsias e debates inúteis sobre a lei, porque essas coisas não produzem fruto espiritual (Tt 3:9). Ele vai além e orienta a igreja a se afastar do homem faccioso depois de adverti-lo uma ou duas vezes (Tt 3:10). Isso mostra que a graça não é permissiva com divisão e rebeldia.
O cristão salvo deve ser conhecido não por viver em polêmica, mas por ser útil, frutífero e comprometido com aquilo que edifica. Jesus disse em João 15:8 que o Pai é glorificado quando damos muito fruto.
A vida transformada pela graça precisa se tornar visível.
REFLEXÃO
1. Meu comportamento diante das pessoas e da sociedade reflete a mansidão e a graça de Cristo? 2. Tenho vivido com a consciência de que fui salvo unicamente pela misericórdia de Deus? 3. Minha vida hoje está produzindo fruto e boas obras compatíveis com a graça que recebi?
Paz no seu coração! Pr. Márcio Gonçalves Pastor Márcio Gonçalves · Igreja Hope Sarasota
